Deslizando pela neve

Deslizando pela neve

Por Ricardo Ruas

Até chegar ao Chile, eu não sabia que o Vale Nevado nada mais é do que o nome de um resort. E que nas proximidades dele, no alto da Cordilheira dos Andes, tem outros três locais possíveis para esquiar ou encarar a neve – de maneira radical ou não. Confesso que um papo com outras duas brasileiras que estavam no mesmo passeio que eu durante Valparaiso e Viña del Mar me desapontou. Elas tinham experimentado o lugar no dia anterior, e passaram horas na fila para curtir só meia hora de esqui.
Com essa informação, troquei meu passeio por outro, com somente uma passada pelo Vale Nevado e mais tempo em Farellones. Foi a decisão acertada. Ainda em Santiago, depois que todos os excursionistas estavam no ônibus, parada para aluguel de roupa específica para a neve. Eu já estava com uma jaqueta impermeável, optei somente pela calça e bota. Com todos paramentados, seguimos rumo à Cordilheira, percurso que levaria cerca de uma hora e meia.
Logo na subida, depois de 40 acentuadas curvas, uma parada de meia hora para desfrutar do tapete branco e gelado. Adultos correndo feito crianças, crianças encantadas com  bonecos de neve e até uma tímida guerra de bolas de gelo fofo marcaram o primeiro contato com a imensidão branca.
A primeira pergunta que sempre fazem é sobre o frio. Diria que é frio sim, mas que como geralmente vamos mais preparados, acho o Sul do Brasil (onde moro) bem mais gelado. Talvez por não andar com botas especiais no dia a dia. Ou porque nem todos os locais tem calefação, como no Chile.


Depois do momento “infância”, hora de seguir adiante. Fomos até o último ponto da Cordilheira dos Andes, no Vale Nevado Resort, onde uma multidão aproveitava os esportes de Inverno. Tirei fotos e fiz um lanche ao ar livre, com direito a chocolate quente na beira de uma pista de esqui. Meia hora depois, descemos um pouco, para curtir Farellones. Neste local, restaurantes, lojas de aluguel de equipamentos e gente curtindo a neve – tal qual fazemos na praia, no Verão. Porta do carro aberta, picnic, ou bares e restaurantes com vista para o paredão branco.



Dicas
– Não coma demais, porque o retorno é sinuoso e fácil de enjoar.
– Até nos restaurantes onde há uma multidão de turistas vale tomar vinho. Eles são realmente baratos no Chile.
– Use óculos de Sol. Na neve, o clarão atrapalha a visão. E é recomendado pelos médicos, porque reflete ainda mais a luz do Sol.
– A neve da Cordilheira dos Andes é que garante o abastecimento de água de Santiago. Uma intensa seca há quatro anos faz com que os rios sejam usados inclusive como estacionamento, tendo em vista o crescimento dos veículos nas cidades.

– Não fiz recomendações de preço, mas posso afirmar que com as milhagens (que me deram acesso à passagem), mais hospedagem, alimentação e passeios custaram cerca de R$ 1,5 mil para cinco dias fora do Brasil.  
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